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O que quer Luxemburgo?

Vou ter que escrever em tópicos, porque estou tão irritado e puto que nem tem como concatenar um texto decente, pelo menos não agora - a irritação é tanta que, por alguns momentos, eu cheguei a torcer pela virada do Nacional, só pra ver o circo definitivamente pegar fogo. E nem dormir eu consegui, tanto que tive de ligar o computador pra descontar minha fúria nas palavras.
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Então, vamos lá, o que está pensando o Luxemburgo da vida? Tá forçando a barra, quer ser demitido e levar a multa rescisória? Ou quer simplesmente ser consagrado como o gênio das mudanças táticas durante o jogo?
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Pela primeira vez em muito tempo eu concordei com o Rizek: se ganhasse, o Luxemburgo ia se arvorar o gênio. Mas, porra, mudar aos 30 minutos do primeiro tempo, sem contusão nenhuma e com o placar em 0 a 0, é óbvio que o cara percebeu a enorme MERDA que fez ao escalar o time e tentou consertar.
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Tava na cara que ele ia queimar o Keirrison no segundo tempo, só achei que fosse para a entrada do Ortigoza. Mas não, o time estava ganhando e o gênio dos R$ 500 mil mensais resolveu colocar o Jumar. Tudo bem, eu não achei ruim ele recompor o meio, mas tiraria o Diego Souza, que até fez o gol, mas não estava jogando porra nenhuma e várias vezes se escondeu ali na ponta-esquerda. Mas aí, com três zagueiros e dois volantes, o time me toma um gol numa bola alçada na área, nas costas da defesa.
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E aí entra uma coisa que eu venho notando nas últimas semanas e comento sempre lá na Agência: Marcão. Já repararam que o nosso careca-cabeludo está presente a um raio de 2 metros de TODOS os jogadores que marcam gol contra o Palmeiras? Foi assim no gol do Sport no jogo dos pênaltis, em que ele não acompanha o Wilson; no gol do Inter, em que ele fica olhando o Danny Morais dominar a bola; e é só recuar no tempo que vamos percebendo isso, até o já imortalizado gol do Ronaldo em Presidente Prudente, no qual ele comete o erro mais-que-primário de olhar pra bola sem perceber o Gordo fungando em seu cangote. Caramba, quem foi o IDIOTA que contrata um sujeito assim?
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Voltando ao Diego Souza, que eu citei acima: tô cansado, farto mesmo, de jogador que só joga pra torcida, e não pro time. Tudo bem, ele é bom de bola, sabe chutar e tudo o mais. Só que amarra todas as jogadas, atrasa os contra-ataques, prende a bola como o nada saudoso Mirandinha (o Fominha, ex-técnico do Fortaleza, é preciso ter mais de 25 anos pra lembrar dele) e dá um carrinhos aloprados pra ganhar a massa, enquanto o Keirrison, que não é marqueteiro e está completamente sacrificado por esse esquema estúpido com um só atacante, acaba queimado com a torcida. Patético. O Palmeiras precisa de um ídolo que mostre muito mais do que isso.
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Da mesma forma, é sacanagem cornetar o Marquinhos. O cara está jogando fora de posição e completamente largado ali na direita - culpa inclusive do citado acima Diego Souza e do Cleiton Xavier, que devia aparecer pra tabelar e ficou marcando o grande círculo durante boa parte do segundo tempo.
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Não é tão difícil assim, porra. Na única vez em que os atacantes de aproximaram e saiu tabela no primeiro tempo, o Keirrison bateu aquela bola raspando. No segundo, saiu o gol. Não precisa nem desenhar de tão fácil e óbvio.
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Ainda dá pra classificar, é claro, mas ficou muito mais difícil e sofrido. E não precisava ser assim, né, profexô?
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Update da coletiva: o safardana ainda tem a cara-de-pau de reclamar que a torcida não incentiva e corneta. "Tem que fazer como faz a torcida do Inter, o Sport". Tá na cara que ele tá querendo criar um climão pra ganhar o bilhete azul e, logo, a multa rescisória. Prejuízo à parte, vai ser maior o prejuízo se formos eliminados por causa desse beócio. Por isso, rua!
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Juro que queria ter o otimismo e a incrível tranquilidade do Seu Cruz neste post, mas tá bem difícil.
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Mais um update, a versão consolidada desses rabiscos está no Impedimento.

Por Fernando 00:02 3 palpites Links para esta postagem  



Em obras


Ok, vamos dar uma mexida no visual deste blog, já que o autor anda com um inacreditável bloqueio mental que o impede de escrever qualquer coisa que não seja a mediocridade "Fulano de tal venceu sicrano das quantas por tanto a tanto" e suas variantes.
Eu até acho que deve existir algum mérito no fato de escrever umas 20 matérias por dia, embora não saiba ao certo qual é. Sei que a rotina anda massacrando meus miolos e vetando todas as minhas ideias de pautas diferenes ou mesmo de posts.
E olhe que não faz muito tempo eu andava superempolgado, tinha várias ideias pra colaborar no genial Impedimento, e queria reformular isso aqui colocando minhas melhores matérias publicadas, e comprei um celular novo cheio de história do teclado qwerty, poderia escrever no Cometa, e tem um monte de coisas do Davi que eu pensava em escrever, o horário de trabalho é melhor... e necas. Secou a fonte. Não sai nada além do maledetto "ganhou", "perdeu", "não joga amanhã", "foi suspenso por seiláquantos jogos".
Nem mesmo o Palmeiras me empolga, uma vez que pior que ser roubado em casa pela enésima vez é ver o Luxa escalando um time patticamente retrancado, com três zagueiros mais o Mozart e o Jumar, daí o time melhora no intervalo e ele ganha fama de gênio, mas por que cazzo não escalou o time direito desde o começo. E o que fazer com um centroavante em má fase e sem estrutura psicológica? E com um craque que joga nitidamente para a torcida, mas que, resolver que é bom, resolve bem menos do que deveria?
Mas esse assunto eu desenvolverei mais tarde, num dia adequado. No mesmo dia em que ache que eu devo falar de política de novo, ou de música, ou de qualquer outra coisa.
"Ah, mas será que não é por causa do Davi?" Não deve ser. Ao contrário, cada vez mais eu sei que é por ele que eu preciso escrever, porque essa é a única coisa que eu sei fazer na vida e, se ele depende de mim, mais ainda que eu preciso soltar as palavras. Além do que, é uma injustiça culpar o moleque por causa disso, ele que está feliz e bagunceiro lá no conforto de seu "lar".
Deve ser só uma fase, coisa que passa. Enquanto isso, vamos dando uma ajeitada na casa, aos poucos as coisas se ajeitam e, se alguém - como eu mesmo - usava os links como uma espécie de "portal" (ô pretensão da porra), prometo que em alguns dias eu ajeito isso. Antes que a seca de palavras passe, certamente.

Por Fernando 13:42 1 palpites Links para esta postagem  



De novo São Marcos, 10 anos depois

A coincidência nas datas dos jogos, 5 e 12 de maio, já havia sido apontada antes dos jogos pelo Barneschi. E como no meu aniversário de 21 anos, no de 31 tive de esperar um dia para receber o presentaço de São Marcos, o Maior de Todos os Goleiros, assim mesmo, em caixa alta.
É inevitável lembrar dos pedaços de gesso caindo do teto do predinho da curva, de tensão absurda que me fez dar uma esticada no banho durante o intervalo do jogo. E de como terminou aquela campanha, claro que com direito a mais uma enorme dose de sofrimento. Se vamos ser campeões de novo? Não sei, mas que a gente começa a sonhar, ah, começa.
E hoje o Davi teve ter aprendido mais um capítulo do que é futeobol, e de como ele é bom e sensacional quando a gente ganha. Viu filho, como não há dúvidas sobre o time certo pra torcer?
(Amanhã tem mais.)

Por Fernando 23:07 2 palpites Links para esta postagem  



Uma frase

"Tanta emoção assim não dá. Qualquer hora vou morrer de enfarte em campo."

E nós, São Marcos? E nós?
Foi uma vitória que me lembrou 1999. Pelo gol improvável, pelo sofrimento na defesa abafando tudo do jeito que desse nos segundos finais, pelas bolas que insistiam em não entrar, pelo jeito Felipão de ganhar.
Estamos vivos. E amanhã quem sabe eu consiga pensar em algo melhor para escrever. Duro vai ser dormir com um barulho desses...
São essas coisas que fazem o futebol ser do cacete.

Por Fernando 01:13 1 palpites Links para esta postagem  



Notas de um plantão

Mais de 200 matérias editadas, ou cerca de 50 por dia. Como jornalismo ainda não se faz em linha de montagem, é óbvio que tem coisa errada nisso.

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Saldo meio a meio para o Palmeiras, com vergonhosa derrota no sábado e vitória suada e necessária hoje. Melhor que nada, dava pra fazer uns 10 a 0 nesse time SAFADO da LDU, mas o importante foi afastar a nhaca. E o Marquinhos conseguiu ser expulso por uma narigada na testa do cara. Perfeito. Quanto ao Capixaba, eu esgotei meus comentários no Twitter. Não dá. Como diz o Rubão, é dos piores jogadores do Palmeiras em todos os tempos, pelo menos entre os que foram titulares. E o Sandro ainda se quebrou, pra ajudar. Quando a fase não é boa...

***

Eu e a Camila completamos hoje três anos de casados. Eu esqueci completamente, ela se lembrou depois das 21h30, ao ler uma mensagem de "parabéns" de uma tia dela pelo Orkut. Ok, eu sei que não justifica, mas acho que estamos, os dois, trabalhando demais.

***

O Davi vai bem, obrigado, crescendo e se desenvolvendo nos conformes, sem mais sustos. O nascimento tá previsto para algum dia de julho, entre 5 e 22, por ora. É pouco, de fato, e ainda tem tanta coisa pra arrumar; por outro lado, parece que cada dia dessa espera leva um mês e meio para passar.

Por Fernando 22:23 1 palpites Links para esta postagem  



Ainda estamos vivos, mas...

Passada a irritação por dois pontos fundamentais perdidos na Libertadores, fica agora um sentimento de apreensão. Já nos classificamos até com menos de 10 pontos antes, e minha previsão inicial era de 11 pontos. Só que eu contava com: 6 pontos contra o Colo Colo, 4 contra a LDU e 1 contra o Sport. Agora, precisamos vencer os dois gringos, a começar pela Liga na terça-feira que vem, e depois ganhar dos chilenos em pleno Nacional, coisa que o Grêmio já conseguiu, calando até os fantasmas dos mortos por Pinochet.
O problema é que, além da apreensão, fica uma frustração engasgada na garganta: por que o Palmeiras sempre enrosca diante de determinados times? Hoje é o Sport, como há muitos anos foi o Bragantino, e sempre um ou outro timeco vem se candidatar a ser asa negra nossa. E tem o fato de nunca conseguir fazer as coisas acontecerem em casa, na hora em que a gente mais acha que o negócio vai. Tipo na última rodada do ano passado, aquela derrota estúpida para o Botafogo que nos jogou nesse grupo lazarento na Libertadores.
Eu assisti ao segundo tempo no computador, graças ao Justin.tv, enquanto trabalhava, e lá pelos 25 minutos me bateu aquela sensação: não vamos marcar esse gol nem fodendo, nem que jogue até as 4 e meia da tarde de sexta-feira. Eu sei que não é o tipo de sensação mais adequada para o que supostamente seria um "torcedor de verdade", e tentei ocultá-la enquanto ouvia o Milton Leite se esgoelar prazeirosamente com mais um tropeço verde, mas o que se pode fazer depois de anos e anos e anos de frustrações acumuladas, de derrocadas na hora H, de times que empolgam mas só até o antepenúltimo jogo?
Venho tentando ser otimista e deixar a corneta guardada no fundo da gaveta, mas assim fica difícil torcer, esperar e, acima de tudo, ganhar para nossa torcida o guri que vai chegar a esta casa daqui a três meses. Ok, eu sei que os caras se esforçam, mostram raça, garra e amor à camisa, fazem batucada no ônibus e cantam o hino com o presidente, correm para cacete em campo, suam, realmente se esforçam, mas tudo isso é filigrana e não resolve nada se não marcar gol e ganhar o jogo.
Eu faço todo o esforço por aqui e continuarei fazendo, torcendo, tentando enrolar a Camila até a hora da novela, ficando acordado quando deveria estar dormindo para sair da cama às 4 da manhã, mas eu gostaria muito que o Palmeiras, pelo menos de vez em quando, compansasse esse esforço. Foi assim na semana passada, quando saí feliz da vida da frente da TV. Que seja assim no sábado e na próxima terça-feira, que Deus permita, amém.

Por Fernando 00:21 2 palpites Links para esta postagem  



A difícil arte de saber perder - 2

Por que para determinados times é tão difícil saber perder?
Sim, porque vocês já repararam que um certo time nunca perde porque o outro foi melhor? Sempre tem a arbitragem pra reclamar, mesmo quando você marca quatro gols em impedimento num perído de três jogos, sendo que no último jogo ainda com um empurrãozinho no zagueiro pra completar a fatura.
Mesmo assim, o time perde, e se a culpa não é o juiz, é do gás, da altitude, da chuva, do vento, da bola ou até mesmo do atacante adversário que erra o chute.
Espero que o Davi perceba que ser são-paulino é chato para caralho.

Outros pitacos:

- Se Ronaldo chamasse Alfredo, Gustavo ou, claro, Kléber, teria sido expulso pelo pisão no André Dias.

- O Palmeiras vai ganhar do Sport quarta-feira, do Santos no sábado e da LDU na terça-feira. Só não aposto porque estou durango, mas é sequência pra embalar de vez.

- Eu preferia fazer a final do Paulistão contra o Corinthians, por causa de toda a tradição, mas não seria ruim enfrentar o São Paulo e ver as desculpas esfarrapadas que serão dadas em caso de derrota. Vai ser culpa, talvez, do ar rarefeito, já que o campo do Palestra é suspenso.

- Depois de uma semana de folga, estou hoje como carro a álcool na década de 80, pegando no tranco. Até o fim da semana a coisa embala. Mas foi mais uma chance perdida de atualizar o layout do blog, que ficará para o aniversário de 4 anos do Davi, no atual andar da carruagem.

Por Fernando 15:22 2 palpites Links para esta postagem  



Falta de identificação com a bola

Toda vez que a Seleção Brasileira se reúne os especialistas decidem discutir acerta dos motivos pelos quais o torcedor não se encanta mais com a equipe como antigamente. E vêm com aquela mesma lenga-lenga de que há muitos estrangeiros, o cara não passa mais do que um ano no Brasil e aí a torcida não se identifica mais com eles, e não tem mais como torcer pelo sujeito que joga/jogou seu time.
Eu até concordo parcialmente com isso, mas para mim o maior problema não é esse, e sim o pavoroso futebol apresentado pela equipe nacional na gigantesca maioria das últimas apresentações. Falta de identificação com a bola, isso sim é o problema desse time.
Tente se lembrar, caro leitor, de quantas exibições PRIMOROSAS a equipe de camisa amarela e calção azul fez, vejamos, desde a conquista do tetra, em 1994. Eu só consigo me lembrar de exatamente meia dúzia:
- os 4 a 2 sobre a Argentina, com três gols de Rivaldo, no amistoso de 99, no Beira-Rio;
- os 3 a 1 sobre a mesma Argentina no Morumbi, nas Eliminatórias de 2000;
- a final da Copa de 2002, 2 a 0 em cima da Alemanha;
- os 4 a 0 sobre o México que acompanhei à beira do campo em Piura, na Copa América de 2004;
- a final da Copa das Confederações de 2005, 4 a 1 sobre a Argentina fora o espetáculo;
- a final da Copa América de 2007, 3 a 0 na Argentina fora o novo baile.
Há outros, mas nada que encha os olhos. Talvez o Chile, na Copa de 98, mas o nível entre as duas equipes era desproporcional. Dinamarca e Holanda, também no Mundial da França, mas esses foram jogos mais equilibrados e emocionantes do que palco de grandes atuações do Brasil. Os 3 a 0 sobre a freguesaça Argentina em Wembley, em 2006, segundo jogo da era Dunga, mas é um jogo tão sem graça e sentido. Certamente ninguém chegará a mais de 15 boas partidas, ou seja, uma vez por ano a Seleção resolve mostrar a que veio, na média.
No resto dos jogos, o que se vê? Atuações patéticas e CONSTRANGEDORAS como a de ontem, contra o Equador, na qual uma derrota por 3 a 1 ou 4 a 1 não poderia ser considerada injusta. Hoje o Brasil foi um bando de canalhas inúteis, caras-de-pau, que, à exceção do Júlio César, se arrastavam em campo à espera do apito final como quem aguarda a bênção final para ir embora da missa enquanto a coisa ainda está na Oração Eucarística, logo depois da consagração, sem o folheto para acompanhar o palavrório sacerdotal.
E nego vem me dizer que a culpa é da falta de identificação da torcida? Ora, convenhamos, é muita cara-de-pau dizer isso. Oras, se com o próprio time o torcedor se irrita quando falta esse tipo de "atitude", imagine com a seleção, na qual, espera-se, está o fino da bossa. Se no sábado eu reclamava que o Palmeiras não conseguia atacar o São Paulo no segundo tempo porque a bola sempre sobrava para o JUMAR ali na ponta-direita, como eu vou me conformar em ver o técnico ter o DESPLANTE de escalar o Josué entre aqueles que supostamente seriam os melhores dos melhores, crème de la crème?
Na boa, o torcedor não quer saber se o cara que está ali de amarelo tem identificação com seu time. Quer dizer, melhor se tiver, mas isso certamente não é o fundamental. É preciso mostrar habilidade, coragem, determinação, vontade, raça, qualidade, ou seja, justificar sua presença numa seleção, que, segundo o item 4 do Houaiss, relativo a esportes, significa o seguinte: "Grupo de atletas ou jogadores escolhidos entre os melhores". Pena que, para Dunga e a CBF, o item 1 seja mais determinante: "Escolha a partir de critérios e objetivos bem definidos".
O diabo é saber quais são esses critérios. Porque, na boa, fala-se de pressão da Nike, de esquema para valorizar jogador, disso e daquilo, e nada se prova. Duro mesmo é saber que tipo BIZARRO de critério é usado para convocar e escalar o Josué.

Texto publicado originalmente no Impedimento.

Por Fernando 18:29 2 palpites Links para esta postagem  



A díficil arte de saber perder

Ontem eu vi meu primeiro jogo ao lado do Davi. Claro, ele ainda está dentro da barriga da mãe, que se diz corintiana e, logo, passou a partida toda me pentelhando e dizendo: "Filho, não adianta torcer para esse time, olha o estado em que ele se encontra".
Bom, quem me conhece sabe que eu me transformo completamente nas - cada vez mais raras - vezes em que eu simplesmente assisto a um jogo do Palmeiras, e que me comporto de maneira geralmente transtornada. Por exemplo, arranquei pedaços de gesso do apê no predinho da curva lá em Bauru, durante a decisão por pênaltis contra o Corinthians na Libertadores de 99, ao bater com a cadeira no teto para pentelhar os corintianos do apartamento de cima.
E não havia outro meio de se comportar diante de um jogo em que seu time tem uma atuação abaixo do lamentável, em que o técnico faz escolhas táticas estranhas e as compromete ainda mais no intervalo. Pô, tudo bem que Marquinhos e Willians estavam jogando abaixo da média, mas de adianta deixar a bola cair na ponta direita para o JUMAR, por Deus do céu? E mesmo assim nós quase empatamos, ah se o Keirrison acerta aquela bola na veia, mas não teve jeito, nego ainda corneta dizendo que ele tinha de parar a bola (se o André Dias chegasse e cortasse, falariam que era melhor bater de primeira) e acabamos perdendo, e a Camila só provocando: "Viu, filho, esse time do seu pai só perde".
Bem, não é verdade isso, claro, mas eu fiquei pensando em como vai ser quando de fato ele estiver ao meu lado. E como eu vou ensinar pra ele que, sim, eventualmente a gente perde, no futebol e na vida, torcendo para o Palmeiras, o São Bento ou por qualquer outra coisa, e que perder faz parte da vida, que não se ganha sempre. Que não basta escolher um time de futebol porque ele ganha mais do que os outros, assim como os caminhos que a gente trilha na vida não podem ser escolhidos apenas por conta do prazer e imediato que proporcionam.
Pior: como a gente vai ensinar algo que até agora não sabe direito como fazer?

Por Fernando 22:57 1 palpites Links para esta postagem  



23,9 centímetros, 457 gramas e um nome

O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Em verdes prados ele me faz repousar. Conduz-me junto às águas refrescantes
Restaura as forças de minha alma. Pelos caminhos retos ele me leva, por amor do seu nome.
Ainda que eu atravesse o vale escuro, nada temerei, pois estais comigo. Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos. Derramais o perfume sobre minha cabeça, e transborda minha taça.
A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me por todos os dias de minha vida. E habitarei na casa do Senhor por longos dias.

Na terça-feira a gente conseguiu matar a saudade de nosso garotão, ainda que pelo ultrassom, daquele jeito meio nebuloso, e ele ainda meteu as mãos na frente da cara, como quem dissesse "Calminha aí, ainda não é minha hora de aparecer, vocês estão apressados demais", então a gente pouco conseguiu visualizar, embora tenha sido suficiente para ver que, sim, está tudo bem, na mais perfeita ordem.
E, embora quem manda não tenha dado a autorização expressa, acho que já dá pra revelar o nome do garoto: Davi, do hebraico "o amado", significado que tem muito a ver com o que cerca a chegada dele. Assim mesmo, D-A-V-I, sem frescuras e invenções, curto e grosso.
A ideia foi de uma tia da Camila, e aprovada com louvor, por conta do mais famoso Davi que passou à história, matando o gigante Golias só na base da astúcia e da coragem, sem armadura e sem espada. E ainda ganhou o crédito por coisas tão lindas como o Salmo 22 (23 em algumas bíblias), transcrito acima.
Venha logo, meu filho, teremos muitos gigantes a matar. Mas não tenha medo, pois sabemos que Deus está conosco.

Por Fernando 01:54 5 palpites Links para esta postagem  



Quando eu crescer quero ser que nem ela

Uma fotografia desse momento mostra Ailce na cama e a família ao redor. Há um movimento em cada um deles, nela nenhum. Eles falam dela, mas ela não está lá. Ailce se retira do palco, e a vida de todos seguirá sem ela. Fragmentos de sua vida esvoaçam a seu redor em forma de lembranças enquanto ela morre. Mas Ailce ainda escuta. Abre os olhos sempre que alguém pronuncia o nome do neto. E, quando ficamos sozinhas, eu digo: “Muito obrigada por ter me contado sua história. Eu vou escrever uma história linda sobre sua vida. E nunca vou me esquecer de você”. Percebo então que ninguém confiara tanto em mim. Muitas vezes eu fui a única testemunha de sua vida. Eu escreveria sua história, e ela estaria morta.

As adolescentes escandalosas que ocupavam o banco ao meu lado do Cometa devem ter rido da minha cara quando comecei a chorar ao ler este trecho, tirado desta matéria da Época, que fecha o livro O olho da rua, coletânea de reportagens de Eliane Brum para a revista da Globo. Eu diria, sem medo de errar, que ela faz tudo o que eu queria fazer no jornalismo. E que é tão distante do jornalismo que eu faço no dia-a-dia que às vezes nem parece ser a mesma coisa.
Não só porque, para escrever suas matérias, Eliane tem coisas com o que a gente nem sonha por aqui, como tempo para apurar, disponibilidade para viagens e outras cositas mais, mas porque ela de fato tem a manha: um texto seguro, envolvente, que prende a atenção do leitor do início ao fim - e o livro é ainda mais legal porque tem bonus track, ou seja, ela conta como foi fazer cada matéria, os perrengues que passou no meio da Amazônia, e até eventuais arrependimentos com o resultado final.
Mas o mais importante é que as matérias da Eliane têm vida. Elas pulsam, corre sangue, tem humanidade ali. Em vez de perder tempo com a frieza dos números, ou de apertar o entrevistado atrás da aspa necessária, Eliane deixa transparecer no texto a voz da pessoa, permite que ela fale, coloca-nos frente a frente com seu objeto. e o faz sem juízos morais, deixando com que o leitor tire suas próprias conclusões. Vê a realidade e a retrata, claro que com o filtro do seu olhar, mas um olhar sem aquele viés rançoso e moralista que estamos acostumados a enfrentar na imprensa.
Eu confesso que só ouvi falar da Eliane no começo da pós, por indicação dos professores, que a citavam como um dos raros bons exemplos de narrativa no jornalismo atual. Taí um bom exemplo a seguir. Eu, pelo menos, gostaria muito de escrever como ela - quem sabe um dia eu chego perto...

Por Fernando 13:50 0 palpites Links para esta postagem  



Dunga não ajuda

Segunda-feira, lá no Roda Viva, o técnico da seleção estava simpático, acessível, não deu patada em ninguém e, mesmo depois de duas horas de entrevista, ainda topou conversar mais uns 15 minutos com os repórteres e responder incontáveis vezes que, sim, ele pode chamar o Ronaldo, por que não?, desde que ele volte à forma de antes, só não disse a qual "antes" se referiu, se aos tempos do Cruzeiro, da Copa de 98, de 2002 ou do spa de Weggis. Por via das dúvidas, tasquei um "Ronaldo - Corinthians" na lista de atacantes, porque nunca se sabe o que pode esperar da cabeça dele.
Então ele me vem com uma seleção de 20 "estrangeiros" em 22 convocados, sem Ronaldo, óbvio, e com gênios da raça como Josué e Gilberto Silva. E o Kaká e o Ronaldinho Dentuço, que estão machucados e certamente o Milan dará migué - parece que é só pra fazer pirraça, marcar posição e ter que chamar alguém às pressas e depois reclamar que o caboclo chegou na última hora.
"Mas Dunga, por que não convocar o Ramires, que está comendo a bola no Cruzeiro?" "Bah, pra eu chamar o Ramires eu teria de deixar de fora o Kaká, tu achas certo eu tirar o Kaká da Seleção?", desconversa o solerte treinador. E não há um catzo de jornalista que vire e fale, "E desde quando você acha que o Ramires e o Kaká jogam na mesma posição, sua anta?", ok, o "sua anta" pode ficar de fora, pelo bem do bom relacionamento, da moral e dos bons costumes. E não há ninguém pra virar e falar, "Escuta, mas você tem certeza, mas certeza mesmo, no duro, que o Kaká e o Ronaldinho poderão jogar? Vai saber, porque na última lista você chamou o Anderson, que o Manchester já tinha dito que estava machucado, e depois teve que cortá-lo na última hora." Mas até parece que os jornalistas presentes sabiam disso, ou têm cara-de-pau de peitar o homem.
Segunda o Dunga falou no programa do Gilberto Silva, disse que ele é "perseguido" como ele, Dunga, era, porque queriam que ele desse carrinho, tomasse a bola, lançasse e se possível fosse pra área cabecear. Não, Dunga, nao é isso, até porque você era melhor jogador que o Gilberto Silva: lançava bem, chutava de longe, cercava e desarmava bem, coisas que o Gilberto Silva, se fez, deixou de fazer há pelo menos 4 anos. Mas ninguém tem coragem de responder ao magnânimo treinador.
E assim vamos, aturando isso até a Copa. Afinal, alguém tem alguma esperança de que ele saia? A não ser que ele leve uma bela sapatada da Espanha na Copa das Confedeações, coisa que eu duvido que vá acontecer, teremos o prazer de ver o Brasil na Copa do Mundo com Josué, Gilberto Silva e Elano. Com todo o respeito, é muito pouco.

Por Fernando 18:55 3 palpites Links para esta postagem  



No fim das contas, poderia ter sido pior

Afinal, o gol do Ronaldo poderia ter sido o da vitória, e não o do empate. Que acabou sendo o resultado mais justo para um jogo que, é verdade, poderíamos ter vencido, mas no qual o Luxa montou um time completamente bundão, com um monte de zagueiros e volantes, morrendo de medo de perder, deixando o Keirrison isolado em meio ao monte de volantes e zagueiros deles, que também atuaram de forma covarde. Logo, por mais dolorido que tenha sido tomar um gol aos 47 minutos do segundo tempo, poderia ter sido pior. E o Luxemburgo deu uma vergonha alheia dos infernos com aquele piti - como disse o Randall, quem escalou o Fabinho Capixaba e deixou o Cleiton Xavier em campo pra tirar o melhor jogador em campo não foi exatamente o juiz, mas deixa pra lá.
E, na boa, sem querer dar o braço a torcer ao rival, mas é preciso: 10 minutos de Ronaldo equivalem a 180 de Cleiton Xavier, 270 de Jorge Henrique, 900 de André Lima e duas temporadas de Souza. O Fenômeno, com toda aquela pança e os dois joelhos arregaçados, encarna como ninguém o ditado "Em terra de cego, quem tem olho é rei". Fico até imaginando como seria uma dupla dele com o Keirrison...

Por Fernando 00:10 2 palpites Links para esta postagem  



Dérbi ao vivo

Por Fernando 18:09 1 palpites Links para esta postagem  



A cidade que dorme na rua

Costuma-se falar de São Paulo como a "cidade que não dorme", aquela pauta que de tempos em tempos aparece em alguma Vejinha da vida mostrando aqueles que trabalham de madrugada. E tome motoristas de táxi, plantonistas de hospital, atendentes do Estadão (o bar), É uma matéria interessante, embora geralmente venha com ou outro estereóttipo, mas ainda assim acima da péssima média do jornalismo atual.
O que não se vê, no entanto, são as matérias sobre a cidade que dorme, sim, ao menos na medida do possível, nas ruas da metrópole, e que as pessoas fingem ser invisíveis.
Na terça-feira de Carnaval, depois de um árduo dia de labuta, tive de dar uma volta a pé do Largo do Paissandu até a Brigadeiro Luiz Antonio e não havia quarteirão, à exceção do Viaduto do Chá, em que não houvesse pelo menos uma meia dúzia dessas "pessoas em condição de rua", no tradicional eufemismo, desde o Paissandu, passando pelos fundos do Teatro Municipal, lotando as fachadas da Líbero Badaró, se acotovelando embaixo das "arcadas da San Fran", sobre o Viaduto Brigadeiro, em frente ao Teatro Abril, ao prédio da Unimed e na Praça Pérola Byngton.
Ontem à noite, o trajeto foi um pouco diferente, mas o cenário foi o mesmo: saindo da Boa Vista, passando pelo Pátio do Colégio, Praça da Sé, João Mendes, Viaduto Dona Paulina, Brigadeiro, incontáveis seres amontoados em meio a montes de roupas, o forte cheiro de urina.
E, pra mim, que passo a caminho de um lugar para repouso, com chuveiro quente, cara, coberta e tudo o mais, uma terrível sensação de angústia, desconforto, impotência, curiosidade: quem são, como chegaram a essa situação, existe alguma solução pra isso. Mas aí fica claro por que essas pessoas não saem em matéria de jornal - afinal, para que incomodar os diletos leitores, não?

Por Fernando 15:40 0 palpites Links para esta postagem