Respeito sim, e só
10/06/2008
Eu cresci aprendendo a odiar o Corinthians. Desde criança, sempre ouvi que havia uma certa tolerância para com o São Paulo, afinal tinha alguns na família, e que o rival a ser desprezado era o Corinthians. Assim foi, e assim é até hoje. Por mais que eu esteja puto com aquela merda de Sport, é óbvio que eu vou torcer pro Sport na final. Com direito a grito na janela se acontecer a virada - na qual eu não acredito, mas eu também não acreditava no Inter e no Fluminense.
Agora, é óbvio que eu respeito o Corinthians. É um grande clube, com uma grande história, uma torcida gigante. Ponto. Respeito, mas fico puto com as vitórias deles, e puto certamente ficarei assistindo ao "Globo Esporte" na quinta-feira com o mais do que provável título deles.
Mas o que me deixa puto, mesmo, é essa coisa de que o Corinthians é especial e que ser corintiano é mais (preencha com o que quiser) do que ser torcedor de outros clubes. Pior, de que o corintiano sofre mais, vibra mais, sente mais. Mais o cacete, e arrumo discussão em redação há muito tempo por conta dessa besteirada.
Besteirada que acaba inflada por força da mídia. Pegue o "Lance", por exemplo: se nenhum dos três grandes tem notícia boa, a escolha da capa é pelo Corinthians, porque vende mais jornal. Se tem mais torcida, logo dá mais audiência, então a Globo passa mais jogos ao vivo e dá mais minutos no "Globo Esporte".
O que neguinho esquece (e é isso que me irritou no texto que o Randall mandou pro Juca) é que o sentimento do torcedor é universal. Quem me garante que a alegria do corintiano por um título é maior do que a minha, palmeirense? Só porque neguinho comprou pacote de um barão pra ir até Recife e ficar sem ingresso, perdendo três dias de trabalho, isso significa que o cara é mais torcedor do que eu - ou que o o Barneschi, por exemplo, que assistiu a 99% dos últimos trocentos jogos do Palmeiras em São Paulo?
Não é. E se eles, oh, têm a Democracia, o Casagrande, o Sócrates, o "bando de lôco" e o "não pára" (que, diz a lenda, foi entoado pela primeira vez num estádio no Palestra, no dia da final contra a Ponte), nós temos a Arrancada Heróica, o gol do Romeiro em 59, o Ademir, o jogo no Mineirão contra o Uruguai, o gol do Ronaldo em 74, o gol do Evair em 93, os gols do Euller contra o Flamengo, a Libertadores de 99, o pênalti do Marcelinho que o William adora lembrar. Melhor? Oras, não existe melhor. São sensações maravilhosas, diferentes e incomparáveis. Por isso, o bando de lôco que fique lá na Marginal Sem Número porque eu sou Palmeiras. E dá-lhe Ixpó na quarta-feira!
Por Fernando 23:22
Marcadores: Corinthians, futebol, jornalismo, Palmeiras
6 palpites:
- At 11/06/08 11:23 Forza Palestra said...
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"Mas o que me deixa puto, mesmo, é essa coisa de que o Corinthians é especial e que ser corintiano é mais (preencha com o que quiser) do que ser torcedor de outros clubes. Pior, de que o corintiano sofre mais, vibra mais, sente mais."
Compartilho dessa sua revolta. Nunca escrevi sobre o tema, mas é algo que incomoda demais. A frase mais cretina, no entanto, é esta aqui: "O Corinthians é diferente dos outros clubes". Porra, mas por que não seria? Cada um tem as suas particularidades e tudo é diferente. Mas o que irrita é o fato de jogadores imbecis pronunciarem esta frase a cada conquista deles. Pode crer que terá algum a dizer isso hoje à noite. O tal de Marcelinho era craque nisso. E eu me lembro, nos segundos após ele perder o pênalti de 2000, que eu me pendurei na mureta do Jd. Leonor só para gritar bem alto: "Espero que seja diferente agora também, filho da puta!!! Espero que a tristeza seja tão diferente quanto todas as merdas que você fala..."
E tem também aquela velha história de eles quererem tomar para si a exclusividade do sofrimento. "Tudo é mais difícil para o Corinthians", dizem. Ah, mas dizem isso porque não sabem como as coisas são sofridas para nós, palmeirenses. Na verdade, para nós e para muitos outros clubes. Quase todos, exceção feita a alguns poucos. Ouso dizer que o Palmeiras rivaliza com os caras em sofrimento, mas tudo que a imprensa faz é ampliar o poder dessa mística, desse estigma de sofredor...
De resto, concordo com você. Odeio o Ispór, mas não dá para torcer pelo Corinthians. Até por uma questão de respeito a tudo o que eles são.
Abraços - At 11/06/08 19:36 João Marcos said...
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Rapaz...
assino embaixo seu texto e o comentário acima...
é de longe o que mais odeio nesse cacete de time...
agora... depender de time do nelsonho batista?!? é duro ser feliz né?? - At 12/06/08 08:41 Emerson Machado said...
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Assino embaixo e já tinha falado mais ou menos isso no meu blog. Não por sermos Palmeirenses, mas por essa palhaçada que a imprensa, principalmente a globinho faz.
IXPÓ campeao!!! - At 12/06/08 08:41 Hiran said...
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Só fiquei triste por uma coisa, ano que vem não teremos o freguês na libertadores
- At 12/06/08 14:20 Hiran said...
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complementando e contrariando meu amigo Randall, nenhum palmeirense pode gostar, admirar, torcer (mesmo que indiretamente), ter qualquer sentimento positivo com relação aos gambás que habitam aquele muquifo no fim da marginal
- At 12/06/08 17:42 Juarez said...
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Falou e disse!